Como Conversar com as Crianças sobre a Morte

Crianças entendem de forma diferente a questão da morte. Aprenda como lidar com elas quando falece um ente querido

Artigo publicado por Patrícia Ribeiro nas categorias: 1 a 2 Anos, 2 a 3 Anos, 3 a 4 Anos, 5 a 6 Anos, Crianças

A morte é um dos grandes tabus na nossa sociedade atual. Há tempos atrás, era encarada pelos nossos ancestrais com mais naturalidade, como mostra os dados históricos. As pessoas adoeciam, ficavam com seus entes queridos, normalmente em casa. Eram acolhidas, tratadas com precariedade, mas, recebiam o conforto da família sempre ao redor delas. Ali participavam todos, inclusive as crianças. Quando, sem mais ter o que fazer, a morte acometia o moribundo, todos já estavam preparados de certa forma.

Obviamente, muito mudou e devemos agradecer por isso. Os avanços da medicina e da tecnologia com certeza prolongam e salvam vidas que antes eram ceifadas muito cedo por falta de recursos. Porém, não se pode negar que todo este avanço trouxe consigo um lado mais frio, mais ausente e solitário para a morte. As pessoas vão para os hospitais, são tratadas por estranhos (que, diga-se de passagem, muitas vezes são grossos e arrogantes nos cuidados prestados), a família possui horários restritos de visitas, crianças não entram em muitos setores.

mamãe conversando sobre a morte

É neste ambiente estranho, frio e solitário que a morte leva consigo várias das vidas da época atual. E quando isso acontece, muitos de nós, mergulhados nos afazeres do dia-a-dia, culpamo-nos de não ter tido tempo de passar mais momentos com aquele ente querido, de não poder ter visitado nos momentos finais muitas das vezes. Agora é a hora de avisar a família, preparar o funeral e contar para as crianças. Mas, espera aí. Devo mesmo contar para as crianças tão pequenas? Vão sofrer tanto tadinhas? Isso é, será que elas vão entender?

Porque Contar que um ente querido morreu

  • Porque a criança não é boba, ela pode não entender a complexidade da morte, mas entende a ausência permanente daquela pessoa;
  • Porque em cada fase da infância ela será capaz de absorver de formas diferentes o que acontece com os seres humanos por não sermos eternos;
  • Porque é essencial uma explicação sobre a ausência de um familiar a um ser em desenvolvimento que clama por várias explicações e porquês sobre tudo.
  • Porque, em respeito à sua individualidade, deve-se contar sempre a verdade e falar sempre de forma clara, correspondente à idade, o que acontece na vida como um todo, inclusive com a morte.

conversar sobre morte

O que não dizer à criança quando alguém morre

  • Ele está dormindo, e vai dormir por muito tempo. A criança vai sentir que a pessoa não está dormindo. Ela vai tentar acordá-lo em pleno velório se o adulto insistir nesta explicação descabida. Ela poderá desenvolver medo de ir pra cama e dormir com receio de dormir por muito e muito tempo como aquele ente querido.
  • Fulano foi fazer uma viagem e não volta mais. Como assim? Viajou e nunca mais volta? A criança se sentirá completamente abandonada, desrespeitada e poderá desenvolver sentimentos de inferioridade, pois não saberá a real explicação do porque que determinado ente querido a deixou, não voltará mais e nem falará mais com ela.
  • Deus levou ele embora ou Papai do céu o buscou. Colocar a culpa em Deus para crianças em fase de desenvolvimento, inclusive desenvolvimento espiritual não é inteligente. Dependendo da idade, ela poderá achar Deus injusto, por ter levado embora alguém de quem ela gostava muito.

Apesar de complexo, o ideal é dizer a verdade, sem rodeios, respeitando a crença que gostaria que seu filho acreditasse. Sempre enfatizando a realidade das coisas, sem rodeios de forma clara para a criança sentir verdade e continuar confiando no adulto que lhe conta. A partir disso, haverá perguntas por parte dela, o ideal é responder de forma simples e curta apenas o que lhe foi perguntando. Não há uma fórmula ideal para se dar uma notícia de morte, mas, seguindo as dicas acima, a possibilidade de acerto, de que a criança supere tudo sem traumas é grande.

Patrícia Ribeiro

Autora

Patrícia Ribeiro é mamãe 24h por dia de dois filhos maravilhosos e dedica seu raro tempo livre à compartilhar suas descobertas com outras mamães.



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