Gravidez Após Perda Gestacional

A possibilidade de uma segunda chance após um aborto depende do tempo de cura do corpo e da mente da mãe.

Artigo publicado por Patrícia Ribeiro nas categorias: Gravidez, Problemas

Estudos mostram que cerca de 10 a 15% das gestações naturalmente são levadas ao aborto, por questões e causas diversas. E essa perda inicial leva muitas mulheres a adquirir medo ou receio de iniciar uma nova gestação, diante de toda a dor física e psicológica gerada em todo o processo. E o quadro simplesmente piora quando há abortos consecutivos, o que ocorre em cerca de 1% dos casos de gravidez.

Diante desse quadro, deve ser investigado o motivo real dos abortos, já que abortos consecutivos provavelmente possuem uma causa em comum que está impedindo o sucesso do desenvolvimento do feto. Em qualquer situação, médicos e família são fundamentais para que a mulher suporte as perdas, e para que ela consiga se reerguer e trazer de novo à luz aquele sonho de ser mãe que nunca foi embora.

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Principais causas do aborto espontâneo

Idade

A idade é um dos fatores que mais influenciam no sucesso da gestação, sendo que em determinada idade a mulher já aumenta bastante o risco de um aborto espontâneo. A taxa global de abortos está em cerca de 11% dos casos, e após os trinta e cinco anos a mulher já passa para uma chance de 20% de abortar. Aos 40 anos essa taxa sobe para 40%, e aos 45 anos 80%. Conhecendo essas taxas, as mulheres mais velhas devem sempre ter mais cuidado e solicitar mais supervisão por ocasião da gravidez.

Anomalias congênitas

As anormalidades genéticas são uma das causas mais comuns de aborto espontâneo. Cera de 90% das alterações cromossômicas levam à perda do bebê, e isso quase sempre ocorre antes da décima semana de gestação. Para evitar que isso aconteça, exames de alterações cromossômicas devem ser realizados no casal antes da gravidez ser consumada.

Outros fatores

Há muitos fatores que tornam a gravidez de risco, e muitas práticas da mulher que podem prejudicar o próprio corpo e o seu bebê. Dentre essas causas podemos citar o uso de drogas como cocaína e álcool, obesidade ou massa corporal inferior à necessária para a gestação, doença celíaca (relacionada à intolerância ao glúten), febre e muitos outros. Costumamos dizer que gravidez não é doença e que a mulher gestante pode fazer tudo o que uma mulher em estado normal faria, mas está claro que o cuidado deve ser redobrado em diversas situações.

O Despertar de uma Segunda Chance

O aborto espontâneo pode ser um trauma, principalmente se ocorrer na primeira gravidez. Cerca de 20% das mulheres sofrem com o aborto espontâneo já na primeira gestação, e a má formação do óvulo é uma das causas mais comuns. Mas o principal não é a causa, e sim a consequência. As mulheres simplesmente perdem a confiança no seu corpo e se sentem incapazes de tentar outra gestação, sentindo-se diminuídas e deprimidas.

A boa notícia é que se o problema que causou o aborto espontâneo da primeira vez foi identificado, praticamente não há chances de ocorrer de novo, visto que as condições do corpo da mulher não são mais as mesmas. Vencida a barreira psicológica que se instala, e que só pode ser vencida com a ajuda de perto de médicos, família, marido e eventualmente psicólogos, as mulheres caminhas a passos firmes para cumprir o sonho e destino de ser mãe.

Nada pode tirar essa vontade de uma mulher que está determinada a ser mãe, nada pode deixar o sonho de ter o seu filho nos braços esmaecer após uma perda. As perdas fazem parte da vida, e servem apenas para que valorizemos ainda mais cada nova vitória.

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Podemos repousar a esperança de recuperação completa da mãe na aceitação do problema. Todo o processo de recuperação do corpo, do retorno à menstruação normal leva pelo menos três meses, mas é o tempo de aceitação da mãe ao que aconteceu que determina a possibilidade da vinda de uma nova criança. A angústia pode se misturar à culpa, e isso demora a evanescer.

Muita conversa, muitas noites em claro, muitas lágrimas farão parte desse processo de cura, mas em pouco tempo ele chega. E o principal fator que leva a essa cura é a vocação natural e divina da mulher para a maternidade. Imaginar seu filho nos braços, antecipar na mente todos os passos da gestação e ter certeza da vida plena de um filho é a metade do caminho para que tudo dê certo.

Patrícia Ribeiro

Autora

Patrícia Ribeiro é mamãe 24h por dia de dois filhos maravilhosos e dedica seu raro tempo livre à compartilhar suas descobertas com outras mamães.



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