Violência Obstétrica

Saiba como identificar a violência obstétrica e como denunciar

Artigo publicado por Patrícia Ribeiro nas categorias: Gravidez, Parto

Os índices são assustadores, preocupantes e vergonhosos: uma a cada quatro mulheres já sofreu de violência obstétrica no Brasil. Os efeitos dessa vergonha marcam toda a vida da mamãe, pois descaracterizam um momento tão único e especial: o parto de seu bebê.

Mas, afinal, o que é violência obstétrica? Como saber se você foi vítima? O que fazer se você se reconheceu como uma vítima?

parturiente

O que é?

A violência obstétrica pode começar bem antes da tão esperada hora do parto. Ela pode ocorrer desde as consultas, durante todo o procedimento de pré-natal, durante o trabalho de parto, durante o parto em si ou até mesmo depois.

A violência obstétrica é mais uma forma de violência contra a mulher. Ela é composta por um conjunto de atitudes de origem agressiva, através de palavras ou até mesmo atos de violência, que são direcionados às futuras mães. Quando uma mulher passa por esse tipo de experiência, ela normalmente se fecha, se sente humilhada e a princípio não consegue entender o que aconteceu e como agir. Começa, assim, um verdadeiro terror psicológico que, se não tratado da forma correta, pode prejudicar a vida e as relações sociais, familiares ou outras da vítima.

Como ocorre?

As formas mais comuns de violência obstétrica são os gritos, a falta de respeito e humilhação, a aplicação de procedimentos dolorosos e desnecessários ou mal informados, sem o consentimento da paciente, a falta de anestesia ou seu excesso e, finalmente, a negligência médica.

Muitos são os relatos de mães que, durante o trabalho de parto, sofreram humilhações como gritos ou uso de frases como “na hora de fazer você não gritou”, “pare de gritar”, “você vai prejudicar seu filho”, “para de frescura, você logo está de volta aqui”, “você não sabe o que faz”, “você não vai conseguir, pois não tem capacidade”. Todas essas frases são exemplos bastante comuns de violência obstetrícia.

sala de parto

Igualmente, são comuns os relatos de mães que passaram por procedimentos dolorosos, como exames de toque feitos de forma inadequada ou episiotomia (famoso corte na vagina para facilitar a saída do bebê), sem serem informadas ou terem consentido a operação.

Impedir a presença de um acompanhante ou sujeitar a mãe em trabalho de parto a uma cesárea sem necessidade ou seu consentimento, negar atendimento, bem como humilhar a mãe, utilizando-se de palavras vulgares ou ainda diminutivos ou piadas, fazendo com que a mesma se sinta inferior, ou amarrá-la, impedir que ela pegue seu bebê após o parto, se saudável: todas essas são também formas de violentá-la.

Como proceder/denunciar?

A conscientização do que é a violência obstetrícia é muito importante. Para evitar passar por uma situação dessas, advogados aconselham que a mãe redija uma carta orientando a equipe médica sobre os procedimentos que ela aceita, ou não, passar. Essa carta deve ser lida e assinada pela equipe médica antes do início do atendimento. Além disso, ao dar saída do hospital, solicite uma cópia do seu prontuário e do seu bebê. É seu direito.

Você é uma vítima? Não se cale. Denuncie. Você não está sozinha!

Patrícia Ribeiro

Autora

Patrícia Ribeiro é mamãe 24h por dia de dois filhos maravilhosos e dedica seu raro tempo livre à compartilhar suas descobertas com outras mamães.



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